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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Torcidas politicamente corretas? A censura aos gritos das arquibancadas


Abro o site da Folha de São Paulo e me deparo com uma matéria chamada “Voz das Arquibancadas”. Abaixo, um subtítulo diz: “Gritos de intolerância”. Entre os vários pontos ressaltados está o fato de que as torcidas usam termos como “bicha” para xingarem os adversários. “Mesmo quando o canto é de comemoração”, assinala o jornal, “há xingamentos motivados por orientação sexual ou gênero.”

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Professora acredita ser uma transracial

Rachel Dolezal antes de depois de "mudar de raça"

"Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro."
Fernando Pessoa, Mensagem
Vivemos num mundo onde tudo parece transitório, como bem observou Fernando Pessoa, um mundo “trans”. Nada parece ter forma fixa. Tudo parece fluído, em constante transformação. “Trans” virou sufixo constantemente usado para criar novas palavras. Temos não apenas os transexuais, mas também os transespecistas, estes são os que teoricamente transitam entre diferentes espécies. Temos o exemplo de uma jovem que acredita ser uma gata, ou o do brasileiro que alega ser um “sereio”. Há até os “transplanetários”, cujo exemplo recente é o do americano que gastou mais de R$ 150 mil para se parecer um ET. Além destes, temos agora mais uma palavra “trans” no vocabulário, os transraciais, que são os indivíduos que optam por pertencer a uma raça diferente de sua ancestralidade genética.

domingo, 23 de abril de 2017

Transespecismo: jovem alega ser uma “gata” e luta por direitos civis


Cá estamos mais uma vez para discutir uma insanidade que se transforma em exigência por “direitos civis”. A demência da vez é que “Nano”, uma jovem norueguesa de 20 anos, declarou ser uma gata – sim, da espécie mesmo – e quer exigir seus direitos por ter nascido na “espécie errada”. É para rir ou para chorar? Nenhum dos dois, pois seria “tranespeciofobia”. Apesar do embrulho no estômago, isso nos alerta para a ditadura do relativismo, que tem desordenado todas as relações sociais.
A loucura já é discutida há cerca de um ano e foi novamente veiculada há poucos dias por algumas mídias internacionais, como o Daily Wire, cujo site noticiou: “Mulher que pensa ser uma gata lidera novo movimento de direitos civis”. O título por si só já mostra uma contradição óbvia, afinal de contas, felinos não lideram movimentos por direitos civis nem processam ninguém por maus-tratos. Penso que a única espécie da qual a jovem norueguesa deve fazer parte é da espécie das “retargatas”. É assim que a chamarei daqui em diante.
Vejamos a loucura da retargata: “Eu percebi que eu era uma gata quando eu tinha 16 anos, quando médicos e psicólogos descobriram qual era o meu problema. No meu nascimento houve um defeito genético… eu nasci na espécie errada.” O que dizer diante de tal estupidez? E ela continua: “Há um cachorro ali. Eu assovio quando encontro cães na rua. É por causa de seu comportamento, e meu instinto reage automaticamente assoviando.” Como se não bastasse, ela mia, odeia água [imagine a sujeira], alega ter olfato e audição aguçadas bem como a capacidade de enxergar no escuro e diz nunca ter conseguido pegar um rato. “Meu psicólogo me disse”,complementa a retargata, “que eu posso crescer fora disso [de ser uma gata],mas eu duvido. Penso que serei gata durante toda a minha vida”. .
O filósofo Luiz Felipe Pondé costuma dizer que, se houvesse uma crise no capitalismo global, os homens voltariam a caçar e as mulheres morreriam de parto. Concordo com ele. Estamos muito mal acostumados. Talvez a jovem esteja entediada com a vida confortável na Noruega. Nosso conforto proporcionado pela técnica acrescido ao regime democrático e que dá voz a qualquer louco tem esses malefícios. Como escreveu Nelson Rodrigues: “A maior desgraça da democracia, é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade.”
A retargata “Nano” não representa a maioria – graças a Deus – mas é defendida por centenas de partidários do politicamente correto, problema este que vai além da sua vida privada como “gata” e atinge diretamente toda a sociedade quando esses dementes começam a exigir de nós isso e aquilo. Tenho certeza que esta jovem doente não optaria por ser uma “gata” caso precisasse viver na selva. Ser uma “gata” doméstica num apartamento na Noruega e alimentada pelos pais é muito fácil. Se tivesse que sobreviver como uma legítima gata essa estupidez desapareceria em poucos minutos.
Diante disso, surge algumas questões: 1) quando ela adoecer será tratada por um veterinário ou por um médico que trata de seres humanos? 2) caso seus pais decidissem abandoná-la, ela iria para um abrigo de animais? 3) ela usa celular? 4) por que ela concede entrevistas? Gatos não dão entrevistas; 5) ela come ração ou McDonalds? 6) ela usa a caixinha de areia ou a privada? 7) por que ela usa piercing? Gatos não usam isso. 8) será que ela vai querer entrar na universidade por cotas? 10) … deixa pra lá! Vamos parar por aqui, é muita idiotice.
Alguém escreveu que uma pessoa de bem deve ter vergonha de ter nascido no século XX por causa dos seus regimes políticos autoritários. Isso porque o autor da frase não viveu no século XXI, subjugado pelo relativismo.
Repito: se esta maluca quiser viver num apartamento como uma “gata”, que viva, mas não podemos aceitar que uma insanidade como a dela exija cotas em universidades, nos serviços públicos, nem processe quem não a reconhecer como uma felina. Toda pessoa que conserva o mínimo de sanidade sabe que melhor que dar espaço para esta “retargata” na política é dar-lhe espaço numa clínica psiquiátrica.
Enfim, o que fazer? Penso que devemos discutir, “problematizar” – como a esquerda adora falar – e claro, submeter o politicamente correto ao ridículo, o que sempre é muito eficaz.
Mas sejamos piedosos, pois a julgar pela aparência da jovem, esta talvez seja a única forma que ela encontrou para ser chamada de “gata”.
Texto publicado originalmente no Instituto Liberal, em 17/02/2017

sábado, 22 de abril de 2017

Bebês são racistas? Ou: quando a ciência serve a militância.

Thiago Kistenmacher

Não é raro ver a ciência se submetendo à militância política. Logo os climatologistas dirão que o frio é uma construção social para oprimir pessoas que não têm agasalhos; biólogos talvez digam que a heterossexualidade é uma invenção do capitalismo e pediatras falem que bebês já são racistas... Mas, um momento. Parece que esta última já existe. Isso mesmo. O Yahoo Notícias publicou uma breve matéria intitulada “Bebês já são racistas antes dos nove meses de idade, descobre estudo.” (https://uk.news.yahoo.com/babies-already-racist-nine-months-old-study-finds-142817710.html)

A matéria inicia indicando: “Costumamos acreditar que as crianças são seres totalmente inocentes – mas parece que as sementes do preconceito são plantadas muito cedo.” O que não parece nada inocente aqui é a matéria e o “estudo”. O site também informa que “As descobertas sugerem que, mesmo de seis a oito meses de idade, os bebês já são inclinados a aprender com membros da sua própria raça”. Ou seja, se as “sementes do preconceito são plantadas muito cedo”, logo, estão sugerindo que os pais são racistas e ensinam as crianças a seguirem o mesmo caminho.

Existe um ponto interessante que dá margem a uma dupla interpretação: os autores da matéria deveriam ser mais específicos e dizer se o bebê já nasce “preconceituoso” ou se este preconceito é “plantado”, como citado acima. Ademais, se o único intuito da notícia fosse demonstrar a proximidade dos bebês com sua própria etnia, e não acusá-los de “preconceituosos” com o propósito de incitar polêmica, não questionariam sua inocência.

O que acontece, provavelmente, é a identificação que o bebê tem com seus parentes mais próximos. Se ele é branco, teve os pais brancos e, por isso, se identifica mais com os brancos. Ocorre o mesmo com os negros, não? Mas a sede de polêmica do Yahoo - que ilustrou a matéria com a foto de um bebê branco, claro - traz um texto breve e sem os pormenores que possivelmente anulariam essa conversa de duplo sentido.

Em outro trecho a notícia informa que “Dois estudos feitos na Universidade de Toronto mostram que crianças de seis a nove meses de idade já podem exibir sinais de preconceito racial.” [Atenção para o destaque em negrito e sublinhado dado ao “preconceito racial” pelo Yahoo]. Será que é preciso utilizar o termo “preconceito racial” para dizer que uma criança branca se identifica mais com brancos e uma criança negra se identifica mais com negros? Teria o estudo outro objetivo que não somente o de estudar o comportamento infantil? Possível. É mais do que óbvio que para se obter uma conclusão tão rasa e fazer uma matéria tão forçada, a biologia e a antropologia são ignoradas a fim de alimentar a polêmica em torno da questão racial. Outro fator que prova essa intenção, de fomentar a discussão, é o fato de a matéria já ter circulado anos atrás e, de repente, ter sido replicada sem qualquer razão aparente.

Diz a notícia que um teste descobriu que “a probabilidade de um bebê ‘seguir com o olhar’ alguém que não fosse de sua própria raça era bem reduzida.” Não duvido que se fosse ao contrário, isto é, se fosse mais provável que o bebê seguisse com os olhos pessoas de “outra raça”, os especialistas diriam que ele o faz porque considera as outras etnias como exóticas e estranhas, por isso o interesse. O resultado seria o mesmo: o bebê é “preconceituoso” porque estranha pessoas de outra cor. Ou será que o bebê já nasce com o “pecado original” do racismo? É cada coisa...

O Yahoo ainda assinala que o Dr. Kang, professor no OISE’s Jackman Institute of Child Study, principal autor dos estudos, acentuou que “As conclusões destes estudos são significativas por muitos motivos”, mas não enuncia quais são. Por quê? Constatada a lacuna, fica a pergunta: será que o estudo não teve o resultado esperado ou será que o resultado obtido não foi aquele que o Yahoo gostaria que fosse? Quem sabe se a matéria fosse publicada na íntegra e sem omissões, descobríssemos que os bebês simplesmente se identificam com seus grupos mais próximos. Mas a manobra do Yahoo faz parecer que todo bebê é um capitão do mato em potencial.

Enfim, se por um lado o objetivo da matéria foi causar qualquer polêmica, por outro deveria levar em consideração que, se os “bebês já são racistas antes dos noves meses de idade”, o racismo não pode ser atribuído assim tão simplesmente ao “capitalismo”, como a “galerinha do bem” vive repetindo.

Não restam dúvidas que as meias palavras da matéria discutida servem mais à confusão interpretativa e, por isso, à militância pela questão racial, do que à ciência. Seria mais produtivo se, em vez de procurar pêlo em ovo, os especialistas procurassem solucionar problemas, não multiplicá-los.