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domingo, 2 de julho de 2017

A patrulha conservadora e moralista: um problema da direita




      
      Alguns julgarão o texto pelo título. Normal. Talvez arrematem: “Mas por que atacar a direita e não a esquerda. Isso é um desserviço!” Respondo: não, não é um desserviço, afinal de contas, uma parcela da direita – e hoje vou me deter sobre alguns que se autointitulam conservadores – também deu origem a uma patrulha ideológica. A inclinação à censura e ao autoritarismo não é exclusividade da esquerda. “Você vai acabar se indispondo com a direita”, diz um amigo. Paciência. Sei que muitos poderão se ofender com o presente texto. Mas aviso: estou tão preocupado com a opinião dos caricatos moralistas quanto estou preocupado com a opinião da esquerda politicamente correta.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Torcidas politicamente corretas? A censura aos gritos das arquibancadas


Abro o site da Folha de São Paulo e me deparo com uma matéria chamada “Voz das Arquibancadas”. Abaixo, um subtítulo diz: “Gritos de intolerância”. Entre os vários pontos ressaltados está o fato de que as torcidas usam termos como “bicha” para xingarem os adversários. “Mesmo quando o canto é de comemoração”, assinala o jornal, “há xingamentos motivados por orientação sexual ou gênero.”

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Juventude e extremismo: o quebra-quebra como um fim em si mesmo.

Por Thiago Kistenmacher

Ontem (25/05) assistimos mais um lamentável episódio de arruaça e vandalismo que a Globo News insiste em chamar de “manifestação”. Não é de hoje que jovens “engajados” por um “mundo melhor” quebram tudo em favor da “democracia”; não é de agora que apaixonados políticos de rosto coberto enfrentam a polícia com a desculpa de agir em defesa do “povo”- que por sinal trabalhava enquanto os alienados por ideologias totalitárias brincavam de guerrinha nos arredores do Palácio do Planalto. Não confio nesse pessoal e nem estou aqui para defender o presidente Michel Temer, mas estou com H.L. Hencken quando ele escreve que “o desejo de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para o desejo de controlá-la”.

domingo, 14 de maio de 2017

Coreia do Norte contrata professores estrangeiros: uma oportunidade para o seu professor doutrinador.

Por Thiago Kistenmacher

Segundo informa o portal UOL, a Coreia do Norte está contratando professores estrangeiros. Esta talvez seja uma grande oportunidade para aquele seu professor apaixonado pelo comunismo. É chegada a hora de migrar para o tão sonhado “paraíso” comunista amplamente defendido pelos doutrinadores. Mas para entrar no “céu” é preciso disciplina, por isso a República “Popular Democrática” da Coreia apresenta alguns requisitos para as candidaturas. Vejamos quais são:


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Transespecismo: jovem alega ser uma “gata” e luta por direitos civis

Cá estamos mais uma vez para discutir uma insanidade que se transforma em exigência por “direitos civis”. A demência da vez é que “Nano”, uma jovem norueguesa de 20 anos, declarou ser uma gata – sim, da espécie mesmo – e quer exigir seus direitos por ter nascido na “espécie errada”. É para rir ou para chorar? Nenhum dos dois, pois seria “tranespeciofobia”. Apesar do embrulho no estômago, isso nos alerta para a ditadura do relativismo, que tem desordenado todas as relações sociais.
A loucura já é discutida há cerca de um ano e foi novamente veiculada há poucos dias por algumas mídias internacionais, como o Daily Wire, cujo site noticiou: “Mulher que pensa ser uma gata lidera novo movimento de direitos civis”. O título por si só já mostra uma contradição óbvia, afinal de contas, felinos não lideram movimentos por direitos civis nem processam ninguém por maus-tratos. Penso que a única espécie da qual a jovem norueguesa deve fazer parte é da espécie das “retargatas”. É assim que a chamarei daqui em diante.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Aposta perdida: ONG cria jogo injusto para combater a meritocracia.

Por Thiago Kistenmacher 

A discussão a respeito da meritocracia cansa, mas é elementar. Concordo que seja necessário melhorar as condições dos indivíduos para que explorem o máximo de suas potencialidades, mas há melhorias e melhorias. Apesar das injustiças – inerentes à condição humana – somos a geração mais rica de toda a História. Somos Homo Sapiens com Whatsapp. Digo isso tudo porque o G1 publicou um texto intitulado “ONG cria 'banco imobiliário' com regras injustas para questionarmeritocracia”. Sinto em informar que isso mais atrapalha do que ajuda. Vejamos o porquê.

sábado, 6 de maio de 2017

Por que Lula parece um ditador acorrentado?


Por Thiago Kistenmacher 

Não é de hoje que conhecemos os perigos de Luiz Inácio Lula da Silva. Seus discursos demagógicos causam aversão e medo em qualquer pessoa que tenha bom senso. Lula tem sua disposição todas as ferramentas que, por sorte, ainda não foram usadas.
Em seu último discuso tratou sua acusação com ironias e chorou de forma dissimulada. Enquanto esteve na presidência da República chamou de “companheiros” os tiranos Hugo Chávez e Fidel Castro, se aproximou de Ahmadinejad e apoiou o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Durante sua fala de defesa, na qual protagonizou um papel que só encanta seus seguidores, disse que se a oposição quiser vencê-lo, terá que fazer isso nas ruas. Qualquer semelhança com o que está acontecendo na Venezuela de seu “companheiro” Maduro não é coincidência. Lula deveria saber que numa democracia a oposição se vence nas urnas, não nas ruas, que geralmente se transformam em campos de batalha. Mas não poderíamos esperar nada diferente de um apreciador de autocracias.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Pobre pode ser de Direita? Comentando o vídeo de Luiz Felipe Pondé

Por Thiago Kistenmacher

Há alguns dias o filósofo Luiz Felipe Pondé respondeu a pergunta: “Pobre pode ser de Direita?” Ele inicia dizendo que acredita que os pobres são mais de Direita do que de Esquerda, pois precisam trabalhar e são responsáveis por si mesmos, por isso estariam próximo do liberalismo e da responsabilidade individual.

sábado, 29 de abril de 2017

Robossexualidade: devemos apoiar o sexo com robôs?

Por Thiago Kistenmacher


Quem assistiu o episódio Be Right Back [Volto Já] da série Black Mirror, ao filme Her (2014) ou a série Humans, compreende bem quão perturbadora pode ser a relação íntima de um ser humano com um robô. Pior ainda quando existe a possibilidade da relação sexual. A questão é que, embora as produções indicadas sejam fictícias, estão muito próximas da realidade. Discutindo o lado sombrio da humanidade que é fomentado pela tecnologia moderna, Rodrigo Constantino já tinha registrado: “Onde isso vai acabar? A distopia retratada em ‘Black Mirror’ dá uma ideia. E ela é assustadora!” Sim, ela é realmente assustadora e, como referido acima, o relacionamento íntimo com um robô, tal qual apresentado no primeiro episódio da segunda temporada da série, está cada vez mais próximo da realidade.

Fica a pergunta: devemos apoiar o sexo com robôs, ou seja, a robossexualidade?

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Universidade propõe “soneca” para alunos sonharem com a “diversidade”.

Por Thiago Kistenmacher

Não é novidade que as universidades têm se transformado em hospícios e que as loucuras defendidas pelas mais diversas teorias e projetos de “pesquisa” têm colaborado sobremaneira para isso. Mas como se todos os delírios esquerdistas não bastassem, de acordo com o DailyWire, agora a Southern Illinois University está propondo sonecas na biblioteca para que os estudantes possam sonhar com a “diversidade”! Não, você não leu errado. É isso mesmo, eles querem “sonhar com a diversidade” enquanto deveriam estar estudando.

A maluquice é parte das três semanas do projeto Dreaming Diversity Art Installation, que começou na quarta-feira (08/03). Essa “soneca” proposta pela universidade é parte dos eventos realizados por causa do Women’s History Month, evento – leia-se militância - que irá perdurar durante todo o mês de Março.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Extremismo: feministas encenam Virgem Maria abortando Jesus


Por Thiago Kistenmacher Vieira

Chocar, causar espanto, perturbar, é só isso que as feministas atuais sabem fazer. Segundo o site Aciprensa, no dia 8 de Março deste ano um grupo de feministas selvagens chamado Socorro Rosa Tucumán se reuniu em frente à Catedral de Tucumán (Argentina) para encenar uma coisa bizarra: uma mulher vestida de Virgem Maria abortando Jesus Cristo!

Gostaria de não precisar escrever sobre coisas tão estúpidas, preferiria concentrar minha atenção em estudos e textos mais profundos e interessantes, mas esse tipo de discussão é fundamental, mesmo porque estamos diante de monstros políticos que, dada a oportunidade, destruiriam tudo e nos fuzilariam a todos.

A única coisa positiva que se pode tirar de tamanha intolerância feminista é que atitudes como essas prestam um desserviço à própria causa delas. É devido a isso que precisamos discutir o que elas fazem, disseminar a crítica dos atos. Desse modo teremos cada vez mais pessoas comuns conscientes da loucura feminista que, por sua vez, será ridicularizada e condenada. Por isso falar sobre exageros da esquerda não é fazer propaganda das suas causas e fortalecê-las. Ao contrário. Nenhum cidadão comum apoiaria tamanha insanidade.

Feministas encenando o aborto de Jesus Cristo.  
     Fonte: http://cdn.cnsnews.com/styles/content_100p/s3/mary_abortion.jpg
No dia 8 de Março vi uma mulher com uma camisa cuja estampa ostentava três mulheres agredindo um homem – que estava no chão – e a frase “¡No pasarán!” Quão bela é a luta dessas pessoas por um mundo sem violência...

Mas vamos em frente. De acordo o coletivo feminista que protagonizou essa cena grotesca, encenar a Virgem Maria abortando Jesus Cristo tem um significado amplo. Vejamos o que elas dizem:

“a virgem abortou, na Catedral, o patriarcado, a heterossexualidade obrigatória, os mandatos desta sociedade repressora e exigiu a todos os misóginos desta província medieval que tirem sua imagem das maternidades, que não proíbam mais abortos em seu nome.”

A rajada de slogans e frases prontas sempre aparece no pronunciamento desse povo tresloucado. É muito vazio existencial, é muita perturbação mental. Além disso, o grupo feminista alegou estar lutando contra o “sistema violador que nos obriga a maternidade forçada”. Feministas politizando a Virgem Maria e tentando falar em nome dela para defender o aborto? Nada mais grosseiro.

O radicalismo feminista não tem limites, é um poço de extremismos sem fundo. É por fatos como esse que a parte da reação extrapola a si mesma, ou seja, é devido ao radicalismo da esquerda, seu relativismo e estupidez que a reação da direita muitas vezes passa do ponto e acaba se tornando tão autoritária quanto ao que pretende combater. Apesar disso tudo, é preciso ter calma, prudência. A luta política e cultural contra esse tipo de demência deve ser travada dia após dia, mas não num tom desequilibrado. Do contrário, se instala a barbárie.

Pergunto: por que essa gente não faz algo semelhante com o profeta Muhammad? Porque sabem que perderiam suas cabeças – literalmente. Elas não precisam ser cristãs para reconhecer que, a despeito dos problemas, é no Ocidente que a mulher é mais bem tratada. Elas não precisam acreditar na Revelação e nem concordar com o cristianismo para reconhecer que hoje em dia os países cristãos são os que mais toleram a tal “diversidade”. A propósito, é precisamente por causa da tolerância cristã – às vezes excessiva - que elas podem escarnecer publicamente da imagem da Virgem Maria e de Jesus Cristo sem serem mortas como seriam no Oriente Médio muçulmano.

Você não precisa ser cristão para repudiar o ato, basta reconhecer as bases cristãs da sociedade em que vive. Um grupo que encena a Virgem Maria abortando Jesus Cristo e que ensina como fazer abortos em sua página do Facebook  – como acabei de ver - não merece o respeito do Ocidente.

domingo, 23 de abril de 2017

Transespecismo: jovem alega ser uma “gata” e luta por direitos civis


Cá estamos mais uma vez para discutir uma insanidade que se transforma em exigência por “direitos civis”. A demência da vez é que “Nano”, uma jovem norueguesa de 20 anos, declarou ser uma gata – sim, da espécie mesmo – e quer exigir seus direitos por ter nascido na “espécie errada”. É para rir ou para chorar? Nenhum dos dois, pois seria “tranespeciofobia”. Apesar do embrulho no estômago, isso nos alerta para a ditadura do relativismo, que tem desordenado todas as relações sociais.
A loucura já é discutida há cerca de um ano e foi novamente veiculada há poucos dias por algumas mídias internacionais, como o Daily Wire, cujo site noticiou: “Mulher que pensa ser uma gata lidera novo movimento de direitos civis”. O título por si só já mostra uma contradição óbvia, afinal de contas, felinos não lideram movimentos por direitos civis nem processam ninguém por maus-tratos. Penso que a única espécie da qual a jovem norueguesa deve fazer parte é da espécie das “retargatas”. É assim que a chamarei daqui em diante.
Vejamos a loucura da retargata: “Eu percebi que eu era uma gata quando eu tinha 16 anos, quando médicos e psicólogos descobriram qual era o meu problema. No meu nascimento houve um defeito genético… eu nasci na espécie errada.” O que dizer diante de tal estupidez? E ela continua: “Há um cachorro ali. Eu assovio quando encontro cães na rua. É por causa de seu comportamento, e meu instinto reage automaticamente assoviando.” Como se não bastasse, ela mia, odeia água [imagine a sujeira], alega ter olfato e audição aguçadas bem como a capacidade de enxergar no escuro e diz nunca ter conseguido pegar um rato. “Meu psicólogo me disse”,complementa a retargata, “que eu posso crescer fora disso [de ser uma gata],mas eu duvido. Penso que serei gata durante toda a minha vida”. .
O filósofo Luiz Felipe Pondé costuma dizer que, se houvesse uma crise no capitalismo global, os homens voltariam a caçar e as mulheres morreriam de parto. Concordo com ele. Estamos muito mal acostumados. Talvez a jovem esteja entediada com a vida confortável na Noruega. Nosso conforto proporcionado pela técnica acrescido ao regime democrático e que dá voz a qualquer louco tem esses malefícios. Como escreveu Nelson Rodrigues: “A maior desgraça da democracia, é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade.”
A retargata “Nano” não representa a maioria – graças a Deus – mas é defendida por centenas de partidários do politicamente correto, problema este que vai além da sua vida privada como “gata” e atinge diretamente toda a sociedade quando esses dementes começam a exigir de nós isso e aquilo. Tenho certeza que esta jovem doente não optaria por ser uma “gata” caso precisasse viver na selva. Ser uma “gata” doméstica num apartamento na Noruega e alimentada pelos pais é muito fácil. Se tivesse que sobreviver como uma legítima gata essa estupidez desapareceria em poucos minutos.
Diante disso, surge algumas questões: 1) quando ela adoecer será tratada por um veterinário ou por um médico que trata de seres humanos? 2) caso seus pais decidissem abandoná-la, ela iria para um abrigo de animais? 3) ela usa celular? 4) por que ela concede entrevistas? Gatos não dão entrevistas; 5) ela come ração ou McDonalds? 6) ela usa a caixinha de areia ou a privada? 7) por que ela usa piercing? Gatos não usam isso. 8) será que ela vai querer entrar na universidade por cotas? 10) … deixa pra lá! Vamos parar por aqui, é muita idiotice.
Alguém escreveu que uma pessoa de bem deve ter vergonha de ter nascido no século XX por causa dos seus regimes políticos autoritários. Isso porque o autor da frase não viveu no século XXI, subjugado pelo relativismo.
Repito: se esta maluca quiser viver num apartamento como uma “gata”, que viva, mas não podemos aceitar que uma insanidade como a dela exija cotas em universidades, nos serviços públicos, nem processe quem não a reconhecer como uma felina. Toda pessoa que conserva o mínimo de sanidade sabe que melhor que dar espaço para esta “retargata” na política é dar-lhe espaço numa clínica psiquiátrica.
Enfim, o que fazer? Penso que devemos discutir, “problematizar” – como a esquerda adora falar – e claro, submeter o politicamente correto ao ridículo, o que sempre é muito eficaz.
Mas sejamos piedosos, pois a julgar pela aparência da jovem, esta talvez seja a única forma que ela encontrou para ser chamada de “gata”.
Texto publicado originalmente no Instituto Liberal, em 17/02/2017

sábado, 22 de abril de 2017

Bebês são racistas? Ou: quando a ciência serve a militância.

Thiago Kistenmacher

Não é raro ver a ciência se submetendo à militância política. Logo os climatologistas dirão que o frio é uma construção social para oprimir pessoas que não têm agasalhos; biólogos talvez digam que a heterossexualidade é uma invenção do capitalismo e pediatras falem que bebês já são racistas... Mas, um momento. Parece que esta última já existe. Isso mesmo. O Yahoo Notícias publicou uma breve matéria intitulada “Bebês já são racistas antes dos nove meses de idade, descobre estudo.” (https://uk.news.yahoo.com/babies-already-racist-nine-months-old-study-finds-142817710.html)

A matéria inicia indicando: “Costumamos acreditar que as crianças são seres totalmente inocentes – mas parece que as sementes do preconceito são plantadas muito cedo.” O que não parece nada inocente aqui é a matéria e o “estudo”. O site também informa que “As descobertas sugerem que, mesmo de seis a oito meses de idade, os bebês já são inclinados a aprender com membros da sua própria raça”. Ou seja, se as “sementes do preconceito são plantadas muito cedo”, logo, estão sugerindo que os pais são racistas e ensinam as crianças a seguirem o mesmo caminho.

Existe um ponto interessante que dá margem a uma dupla interpretação: os autores da matéria deveriam ser mais específicos e dizer se o bebê já nasce “preconceituoso” ou se este preconceito é “plantado”, como citado acima. Ademais, se o único intuito da notícia fosse demonstrar a proximidade dos bebês com sua própria etnia, e não acusá-los de “preconceituosos” com o propósito de incitar polêmica, não questionariam sua inocência.

O que acontece, provavelmente, é a identificação que o bebê tem com seus parentes mais próximos. Se ele é branco, teve os pais brancos e, por isso, se identifica mais com os brancos. Ocorre o mesmo com os negros, não? Mas a sede de polêmica do Yahoo - que ilustrou a matéria com a foto de um bebê branco, claro - traz um texto breve e sem os pormenores que possivelmente anulariam essa conversa de duplo sentido.

Em outro trecho a notícia informa que “Dois estudos feitos na Universidade de Toronto mostram que crianças de seis a nove meses de idade já podem exibir sinais de preconceito racial.” [Atenção para o destaque em negrito e sublinhado dado ao “preconceito racial” pelo Yahoo]. Será que é preciso utilizar o termo “preconceito racial” para dizer que uma criança branca se identifica mais com brancos e uma criança negra se identifica mais com negros? Teria o estudo outro objetivo que não somente o de estudar o comportamento infantil? Possível. É mais do que óbvio que para se obter uma conclusão tão rasa e fazer uma matéria tão forçada, a biologia e a antropologia são ignoradas a fim de alimentar a polêmica em torno da questão racial. Outro fator que prova essa intenção, de fomentar a discussão, é o fato de a matéria já ter circulado anos atrás e, de repente, ter sido replicada sem qualquer razão aparente.

Diz a notícia que um teste descobriu que “a probabilidade de um bebê ‘seguir com o olhar’ alguém que não fosse de sua própria raça era bem reduzida.” Não duvido que se fosse ao contrário, isto é, se fosse mais provável que o bebê seguisse com os olhos pessoas de “outra raça”, os especialistas diriam que ele o faz porque considera as outras etnias como exóticas e estranhas, por isso o interesse. O resultado seria o mesmo: o bebê é “preconceituoso” porque estranha pessoas de outra cor. Ou será que o bebê já nasce com o “pecado original” do racismo? É cada coisa...

O Yahoo ainda assinala que o Dr. Kang, professor no OISE’s Jackman Institute of Child Study, principal autor dos estudos, acentuou que “As conclusões destes estudos são significativas por muitos motivos”, mas não enuncia quais são. Por quê? Constatada a lacuna, fica a pergunta: será que o estudo não teve o resultado esperado ou será que o resultado obtido não foi aquele que o Yahoo gostaria que fosse? Quem sabe se a matéria fosse publicada na íntegra e sem omissões, descobríssemos que os bebês simplesmente se identificam com seus grupos mais próximos. Mas a manobra do Yahoo faz parecer que todo bebê é um capitão do mato em potencial.

Enfim, se por um lado o objetivo da matéria foi causar qualquer polêmica, por outro deveria levar em consideração que, se os “bebês já são racistas antes dos noves meses de idade”, o racismo não pode ser atribuído assim tão simplesmente ao “capitalismo”, como a “galerinha do bem” vive repetindo.

Não restam dúvidas que as meias palavras da matéria discutida servem mais à confusão interpretativa e, por isso, à militância pela questão racial, do que à ciência. Seria mais produtivo se, em vez de procurar pêlo em ovo, os especialistas procurassem solucionar problemas, não multiplicá-los.